The paths to Santiago: the Romanesque art

 
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The paths to Santiago
The Romanesque art

 

Briefly in English version | Em breve versão em inglês      

      A função pedagógica da arte na Idade Média traduz-se na ideia de que a escrita é uma técnica ao serviço da aprendizagem dos que sabem ler, tal como a pintura tinha essa função junto dos que não eram instruídos. De facto, foi através de imagens que muitas vezes se ensinou, na Idade Média, a mensagem bíblica. A expressão ut pictura poesis (‘tal como a pintura, assim é a poesia’) surge na Arte Poética do poeta latino Horácio (século I a.C.), mas sintetiza uma reflexão atribuída ao poeta grego Simónides de Ceos (século V a.C.), segundo a qual a pintura é poesia silenciosa e a poesia é uma pintura que fala.
      Também as igrejas do período românico e sobretudo as de peregrinação assumem uma vocação didáctica, evidente, por exemplo, nos tímpanos e capitéis, uma vez que através deles se transmite uma mensagem à população que não sabe ler, mensagem esta que está associada a um tempo de crise moral, quando os ricos se dedicavam aos prazeres da vida para esquecer a morte e os pobres, que nas iluminuras são retratados de uma maneira repugnante, representam os sinais do vício e do pecado da sociedade. É precisamente nestes aspectos que a mensagem mais incide, usando os tímpanos e capitéis com alusão ao Juízo Final para comunicar de uma forma clara e eficaz a pena ou recompensa que a Igreja reserva para o homem, a punição ou absolvição das almas.
      É neste ambiente que se desenvolve a igreja militante e o mosteiro do peregrino, por um lado, fruto da segunda fase de cristianização e do aumento demográfico, que gera um acréscimo de fiéis e, por outro lado, pelos medos que eram incutidos às populações. Além disso, a igreja do monge (Ordem Beneditina), que estabelece o diálogo com Deus, também desenvolve um trabalho em prol da caridade e protecção aos pobres e peregrinos, defendendo igualmente as artes plásticas, cuja função na Idade Média é a representação do sacrifício para agradar a Deus, ou seja, uma arte simbólica ao serviço de uma ideia superior.
      As igrejas de peregrinação foram edificadas, na sua maioria, durante o período de florescimento do modo românico. As paredes são construídas em alvenaria (pedra miúda) e apresentam como elementos arquitectónicos característicos arcadas cegas (conjunto de arcos simulados – em saliência – como parte integrante de uma parede ou muro), que ritmam os andares; bandas lombardas com pilastras pouco salientes (que são faixas verticais que se encontram nas paredes dos edifícios e muros, nas absides ou nos campanários) e torres, também designadas como campanário, que estão na origem das torres das igrejas medievais, cuja função é essencialmente simbólica e funcional (torre sineira). De estrutura simples, apresentam na sua maioria uma planta circular ou quadrangular (torre de cruzeiro) de arcadas cegas. As torres localizam-se normalmente na fachada ou no transepto do edifício. De uma forma geral, é seguro dizer que toda a aparência externa do edifício sugere grande simplicidade.
      O interior das igrejas de peregrinação, ao contrário do que se verifica no exterior, apresenta uma maior riqueza decorativa e arquitectónica. No entanto, nas igrejas cistercienses do século XII, influenciadas por São Bernardo de Claraval, fundador da Ordem, dada a ausência decorativa nas paredes interiores, despidas de quaisquer pinturas, acentuava-se a frieza da construção em pedra. Noutras igrejas desta época, a cor e as formas dominavam o espaço interior, onde as pinturas, os capitéis e os tímpanos tinham um papel doutrinal, pois contavam através de imagens pintadas e de figuras esculpidas a História Sagrada, e através dessas obras podia-se ensinar os que não sabiam ler, contribuindo ainda para a reflexão sobre acontecimentos difíceis de explicar, como a morte ou os fenómenos considerados sobrenaturais nessa época.
      No entanto, a pintura foi ao longo do tempo desaparecendo e hoje o seu vestígio é escasso ou deteriorou-se significativamente, impedindo-nos de ter um conhecimento mais rigoroso do que teria sido o papel da pintura e das suas composições planas e lineares para a doutrina dos homens medievais.  
      Também a imaginária constituiu uma forma privilegiada de arte no período românico e assume a já referida função pedagógica. As imagens compreendem motivos decorativos cuja temática inclui seres fantásticos, elementos vegetalistas, representações do quotidiano da vida das pessoas, bem como cenas religiosas.
      No que diz respeito aos temas tratados na decoração escultórica das igrejas, começamos por observar que a arte românica, até ao século XII, recorre principalmente aos episódios do Antigo Testamento, enquanto a arte gótica terá preferência pelo Novo Testamento.

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